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domingo, 6 de fevereiro de 2011

A Química dos Relacionamentos


Uma das habilidades mais básicas não só dos seres humanos, mas de todos os seres sociais, é a formação de relacionamentos, conjuntos formados para propósitos específicos. São poucos os indivíduos capazes de produzir sem a companhia de outros. A vida numa sociedade seja ela uma democracia, ditadura, monarquia, socialismo ou anarquia, forma basicamente uma necessidade em criar e manter relacionamentos – sejam estes bons ou ruins.

Existem relacionamentos de todos os tipos; pais e filhos, irmãos, amigos, parceiros (em ambos os sentidos), patrões e empregados e, os mesmos são sempre constituídos de trocas. Algumas vezes damos, outras recebemos. Eles também estão em constante mutação, amigos viram parceiros, filhos viram pais, sempre mantendo uma certa hierarquia; são raras as vezes em que todos os integrantes tem o “mesmo volume na voz”. Mas vou deixar as análises terapêuticas para nossas colegas do Contato.

Infelizmente, ainda vejo nas pessoas uma inabilidade em distinguir vontade de necessidade, especialmente em relações entre sexos opostos (ou em alguns casos, entre o mesmo sexo). A co-dependência é uma constante na vida de boa parte das pessoas. É o velho “sem ele eu não vivo”. Existe uma extrema dificuldade em se movimentar com as próprias pernas, a dependência no próximo cria quase uma simbiose entre seres humanos, originada talvez por uma catarse encubada desde os tempos do “cada um por si”. Há vantagens óbvias em se relacionar, porém a demasia pode atrapalhar com igual intensidade.

Encerro este meu parecer de observador convidando a todos para a segunda jornada do Contato Núcleo, feita para indivíduos “psi” e “não-psi” - profissionais e leigos. Um dia inteiro de palestras e workshops no mês de abril dedicados à muito celebrada “Química dos Relacionamentos”. Ainda estamos um pouco distantes da data, mas os manteremos informados para que todos possam tirar proveito desta experiência que sem sombra de dúvida será magnífica.


Para aqueles que ainda não conhecem: www.contatonucleo.com.br

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vamos limpar o Brasil!


Nos dias 19 e 20 de maio, rolou o III Fórum de Comunicação e Sustentabilidade e a Revista Crase marcou presença nas discussões. Dentre os 'cabeças' a frente do projeto, estavam os Prêmios Nobel da Paz Rigoberta Menchú e Mohammad Yunus. Além de nomes importantíssimos na luta pela igualdade social como Leonardo Boff, MV Bill, André Trigueiro, entre outros. Contudo, quem mais chamou atenção foi o estoniano Rainer Nõlvak, que desenvolveu um projeto brilhante para limpar o seu país e diminuir a quantidade de lixo. Tudo bem que a Estônia é considerada um pedaço de terra se comparada ao tamanho do Brasil, mas a idéia é tão boa que já foi adotada pelo governo carioca. O projeto pretende, através de voluntários (você, eu, o tiozão da banca, o riquinho da praia, o adolescente revoltado etc), convocar um multirão para ir em um único dia às ruas da cidade, estado ou país para retirar todo o lixo jogado em rios, florestas, avenidas, valões... Segundo o Limpa Brasil, serão necessários 150 mil voluntários para a ação. Eu já me inscrevi e com certeza a revista estará presente no dia. Ainda sem data agendada, o empreendimento conta com o apoio de 50 empresas, 12 instituições públicas e um financiamento de parceiros em torno de 3.8 milhões de reais. Os dados do IBGE confirmam que a quantidade diária de lixo urbano coletado no Brasil seja de 228.413 toneladas! Clique aqui para se inscrever e fique ligado em mais informações!

sábado, 15 de maio de 2010

"Societardo"


Pra complementar o último post e ainda esclarecer um assunto que me causa um certo desconforto, aí vai uma pequena aula de sociologia.
A esmagadora maioria das pessoas rotulam com nomes como Punk, Grunge, indivíduos de acordo com a forma como se vestem ou com as músicas que ouvem, esquecendo de um pequeno detalhe... Estes são movimentos, são ideias, atitudes. Essa rotulação é compreensível pela necessidade do ser humano de categorizar e estereotipar tudo para um melhor entendimento. Ou seria mesmo por isso?

Qual a vantagem em dividir pessoas em grupos como espécies de ratos de laboratório? Já ouvi pessoas dizerem que esse "agrupamento" as aproxima, mas olhando de um ponto de vista geral -nossa sociedade como um todo-, isso nos distancia. De fato forma grupos mais próximos, mas ao mesmo tempo divide a sociedade numa eterna batalha de julgamentos. Divide o ser humano em "subespécies", as quais não socializam umas com as outras e em doses mais elevadas de estress ou testosterona causam surtos de violência, levando ultimamente ao declínio da sociedade.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Contra-a-cultura. Contracultura. Contra o que? Ah, cultura!


Lendo revistas, me embrenhando na floresta de fóruns online e conversando muito em mesas de bar, cheguei à conclusão de que pouca gente tem conhecimento de um movimento que durou quase 30 anos, nos influenciando até hoje. Afinal o que é a contracultura? Para ‘decifrar’ o termo óbvio, bom senso e meio cérebro funcionando seriam o suficiente para entender a sua lógica e, automaticamente, decifrar seu significado.

Iniciado em meados da década de 40, esse movimento ganhou força nos anos 60 com a disseminação de novos meios de comunicação em massa. A sua estrutura veio da exigência feita por jovens intelectuais (ou rebeldes sem causa) por uma mudança de valores. Cansados da falta de liberdade numa sociedade conservadora, esses jovens optaram pelo radicalismo para fazer essa transição. O que pouca gente sabe ou se dá ao trabalho de pesquisar/filosofar, é que o movimento da contracultura pode ser visto como um fenômeno, uma situação concreta ou algo mais abstrato, como uma linha de pensamento.

De um lado temos os hippies, crias do movimento artístico e comportamental da Geração Beat (já discutida aqui no blog), onde a arte era extremamente valorizada, a expressão objetal da angústia era necessária. Do outro temos filósofos seguidores do existencialismo de Jean-Paul Sartre. Sob a premissa "o homem está condenado a ser livre", os seguidores sartrianos acreditavam que o homem é livre e responsável por tudo o que está a sua volta, assim como o próprio escritor disse. Somos responsáveis pelo nosso passado, presente e futuro.

O idealismo da contracultura serve de base para praticamente qualquer movimento. Seja Punk, Grunge, Straight Edge ou Gótico. Todos eles têm como base a contestação, o incômodo sentido em algo estabelecido e, consequentemente, a busca pela transformação daquilo que incomoda.

Tão importante foi esse movimento que ainda podemos ver pelo mundo moderno pensamentos remanescentes, idéias difusas - e não tão radicais, mas ainda assim baseadas na contracultura. Me arrisco a dizer que a CRASE se encaixa nessa categoria. Nossa filosofia se distancia um pouco da contracultura pela falta de radicalismo e pela noção de relatividade. Sabemos que muitas vezes alguns valores da nossa sociedade atual são sólidos, a incongruência está na interpretação dos mesmos. Somos apaixonados, somos jovens intelectuais e, porque não dizer, somos rebeldes sem causa. Enxergamos dificuldades e lutamos por uma melhor compreensão desse mundo em que vivemos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Um Gênio Irreverente


A irreverência de um gênio transparente. George Carlin foi um dos maiores comediantes do século passado. Inovador, crítico e apaixonado por palavras, nunca teve medo de falar do mundo como ele via. Usando comédia para entreter e informar, Carlin afirmava que o riso faz as pessoas se abrirem e a ficarem completamente suscetíveis a ideias exteriores e, isso, os permitia compartilhar de um elo surpreendentemente forte, limpo e seguro.
Apresentou inúmeros programas de renome, como Larry King Live e Saturday Night Live - sendo o apresentador do primeiro episódio deste. Além de participar de filmes como O Império do Besteirol Contra-Ataca do roteirista Kevin Smith, o clássico Bill e Ted e Dogma (também de Kevin Smith). Como convidado participou de diversas "mesas redondas" debatendo assuntos como política, religião e sociologia, mas nunca ignorando seu lado cômico.
Ganhador de prêmios Grammy e escritor de Bestsellers, sua paixão por palavras e seu desgosto por eufemismos são suas melhores características - muitas vezes criando confusões. Senhor de uma inteligência e cultura incrivelmente elevadas, Carlin adorava uma discussão e, na maioria das vezes, conseguia provar por A mais B seus pontos de vista.


Nesta primeira edição da CRASE, falarei a respeito desse gigante da comédia, sobre sua vida, obras e ideias que influenciaram tantas pessoas e irritaram muitas outras pelo seu radicalismo e transparência. Além de uma entrevista em primeira mão com ninguém menos do que sua filha Kelly Carlin, que compartilha o seu amor pelas palavras.

Existem opiniões distintas quando se trata dos pensamentos de Carlin, por muitos deles irem diretamente contra as regras atuais da sociedade. Por exemplo, em Religion is Bullshit e Saving the Planet ele critica a submissão à Igreja e a epidemia de neurose que se espalha pelo mundo. Mas não se pode negar a mente brilhante desse homem que por 40 anos fez milhares de pessoas rirem dos problemas da sociedade, conseguindo que algumas refletissem e outras questionassem.