Lendo revistas, me embrenhando na floresta de fóruns online e conversando muito em mesas de bar, cheguei à conclusão de que pouca gente tem conhecimento de um movimento que durou quase 30 anos, nos influenciando até hoje. Afinal o que é a contracultura? Para ‘decifrar’ o termo óbvio, bom senso e meio cérebro funcionando seriam o suficiente para entender a sua lógica e, automaticamente, decifrar seu significado.
Iniciado em meados da década de 40, esse movimento ganhou força nos anos 60 com a disseminação de novos meios de comunicação em massa. A sua estrutura veio da exigência feita por jovens intelectuais (ou rebeldes sem causa) por uma mudança de valores. Cansados da falta de liberdade numa sociedade conservadora, esses jovens optaram pelo radicalismo para fazer essa transição. O que pouca gente sabe ou se dá ao trabalho de pesquisar/filosofar, é que o movimento da contracultura pode ser visto como um fenômeno, uma situação concreta ou algo mais abstrato, como uma linha de pensamento.
De um lado temos os hippies, crias do movimento artístico e comportamental da Geração Beat (já discutida aqui no blog), onde a arte era extremamente valorizada, a expressão objetal da angústia era necessária. Do outro temos filósofos seguidores do existencialismo de Jean-Paul Sartre. Sob a premissa "o homem está condenado a ser livre", os seguidores sartrianos acreditavam que o homem é livre e responsável por tudo o que está a sua volta, assim como o próprio escritor disse. Somos responsáveis pelo nosso passado, presente e futuro.
O idealismo da contracultura serve de base para praticamente qualquer movimento. Seja Punk, Grunge, Straight Edge ou Gótico. Todos eles têm como base a contestação, o incômodo sentido em algo estabelecido e, consequentemente, a busca pela transformação daquilo que incomoda.
Tão importante foi esse movimento que ainda podemos ver pelo mundo moderno pensamentos remanescentes, idéias difusas - e não tão radicais, mas ainda assim baseadas na contracultura. Me arrisco a dizer que a CRASE se encaixa nessa categoria. Nossa filosofia se distancia um pouco da contracultura pela falta de radicalismo e pela noção de relatividade. Sabemos que muitas vezes alguns valores da nossa sociedade atual são sólidos, a incongruência está na interpretação dos mesmos. Somos apaixonados, somos jovens intelectuais e, porque não dizer, somos rebeldes sem causa. Enxergamos dificuldades e lutamos por uma melhor compreensão desse mundo em que vivemos.
terça-feira, 27 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Um Gênio Irreverente
A irreverência de um gênio transparente. George Carlin foi um dos maiores comediantes do século passado. Inovador, crítico e apaixonado por palavras, nunca teve medo de falar do mundo como ele via. Usando comédia para entreter e informar, Carlin afirmava que o riso faz as pessoas se abrirem e a ficarem completamente suscetíveis a ideias exteriores e, isso, os permitia compartilhar de um elo surpreendentemente forte, limpo e seguro.
Apresentou inúmeros programas de renome, como Larry King Live e Saturday Night Live - sendo o apresentador do primeiro episódio deste. Além de participar de filmes como O Império do Besteirol Contra-Ataca do roteirista Kevin Smith, o clássico Bill e Ted e Dogma (também de Kevin Smith). Como convidado participou de diversas "mesas redondas" debatendo assuntos como política, religião e sociologia, mas nunca ignorando seu lado cômico.
Ganhador de prêmios Grammy e escritor de Bestsellers, sua paixão por palavras e seu desgosto por eufemismos são suas melhores características - muitas vezes criando confusões. Senhor de uma inteligência e cultura incrivelmente elevadas, Carlin adorava uma discussão e, na maioria das vezes, conseguia provar por A mais B seus pontos de vista.
Nesta primeira edição da CRASE, falarei a respeito desse gigante da comédia, sobre sua vida, obras e ideias que influenciaram tantas pessoas e irritaram muitas outras pelo seu radicalismo e transparência. Além de uma entrevista em primeira mão com ninguém menos do que sua filha Kelly Carlin, que compartilha o seu amor pelas palavras.
Existem opiniões distintas quando se trata dos pensamentos de Carlin, por muitos deles irem diretamente contra as regras atuais da sociedade. Por exemplo, em Religion is Bullshit e Saving the Planet ele critica a submissão à Igreja e a epidemia de neurose que se espalha pelo mundo. Mas não se pode negar a mente brilhante desse homem que por 40 anos fez milhares de pessoas rirem dos problemas da sociedade, conseguindo que algumas refletissem e outras questionassem.
Apresentou inúmeros programas de renome, como Larry King Live e Saturday Night Live - sendo o apresentador do primeiro episódio deste. Além de participar de filmes como O Império do Besteirol Contra-Ataca do roteirista Kevin Smith, o clássico Bill e Ted e Dogma (também de Kevin Smith). Como convidado participou de diversas "mesas redondas" debatendo assuntos como política, religião e sociologia, mas nunca ignorando seu lado cômico.
Ganhador de prêmios Grammy e escritor de Bestsellers, sua paixão por palavras e seu desgosto por eufemismos são suas melhores características - muitas vezes criando confusões. Senhor de uma inteligência e cultura incrivelmente elevadas, Carlin adorava uma discussão e, na maioria das vezes, conseguia provar por A mais B seus pontos de vista.
Nesta primeira edição da CRASE, falarei a respeito desse gigante da comédia, sobre sua vida, obras e ideias que influenciaram tantas pessoas e irritaram muitas outras pelo seu radicalismo e transparência. Além de uma entrevista em primeira mão com ninguém menos do que sua filha Kelly Carlin, que compartilha o seu amor pelas palavras.
Existem opiniões distintas quando se trata dos pensamentos de Carlin, por muitos deles irem diretamente contra as regras atuais da sociedade. Por exemplo, em Religion is Bullshit e Saving the Planet ele critica a submissão à Igreja e a epidemia de neurose que se espalha pelo mundo. Mas não se pode negar a mente brilhante desse homem que por 40 anos fez milhares de pessoas rirem dos problemas da sociedade, conseguindo que algumas refletissem e outras questionassem.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Maria Fumaça
[Inserir música do Plantão da Rede Globo aqui]
Senhoras e senhores, venho por meio deste comunicado informar as imperdíveis, espetaculares e urgentes novidades da CRASE!
Com máquinas a todo vapor, a revista deixou de andar para começar a correr. Neste exato momento Dans Souza, Cadu Senra, Gui Liaga, Rique e seu anfitrião favorito estão de cara nos cadernos, computadores, gravadores e o que mais possibilite a conservação de informações... Conservação? Hmm... Comida... Mas enfim! Estamos nas etapas finais das primeiras matérias e em breve teremos material suficiente pra saciar o apetite dessas mentes vorazes que eu sei que existem aí fora e, consequentemente preencher o conteúdo necessário para [tambores por favor]... Lançar a revista! E eu posso dizer, com absoluta certeza que expectativas serão superadas!
Nossa próxima reunião será para organização apenas. Com matérias em mãos, vamos começar a última e mais esperada etapa do processo de criação da CRASE. Em breve, muito em breve baixinhos, a maior sensação desde a invenção do Bubbaloo estará disponível para todos!
Um grande abraço do seu felicíssimo anfitrião,
Rafael Farah
Senhoras e senhores, venho por meio deste comunicado informar as imperdíveis, espetaculares e urgentes novidades da CRASE!
Com máquinas a todo vapor, a revista deixou de andar para começar a correr. Neste exato momento Dans Souza, Cadu Senra, Gui Liaga, Rique e seu anfitrião favorito estão de cara nos cadernos, computadores, gravadores e o que mais possibilite a conservação de informações... Conservação? Hmm... Comida... Mas enfim! Estamos nas etapas finais das primeiras matérias e em breve teremos material suficiente pra saciar o apetite dessas mentes vorazes que eu sei que existem aí fora e, consequentemente preencher o conteúdo necessário para [tambores por favor]... Lançar a revista! E eu posso dizer, com absoluta certeza que expectativas serão superadas!
Nossa próxima reunião será para organização apenas. Com matérias em mãos, vamos começar a última e mais esperada etapa do processo de criação da CRASE. Em breve, muito em breve baixinhos, a maior sensação desde a invenção do Bubbaloo estará disponível para todos!
Um grande abraço do seu felicíssimo anfitrião,
Rafael Farah
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A visão de Moore
Goste você ou não, o cinegrafista Michael Francis Moore possui um feito e tanto na sua carreira: ele recebeu o Oscar de melhor Documentário pelo seu trabalho Tiros em Columbine. Perceber a contradição nesse acontecimento se dá quando o telespectador está antenado na história político-social americana (entenda a palavra ‘americana’ empregada aqui como tudo que vem do continente americano) e conhece as obras – pelo menos uma – do documentarista. Tiros em Columbine conta a história real de estudantes que atiraram em alunos e professores da sua escola – sem motivo aparente nenhum -, mas o foco é extremamente a cultura armamentista dos estadunidenses. Tenha Moore levado para a casa a estatueta por apresentar um bom trabalho ou para a Academia Hollywoodiana mostrar uma face mais moderna e humanista, isso não vem ao caso.
O ponto a ser citado agora é que Moore conseguiu atravessar a barreira que mantém os seus compatriotas alienados a pouquíssimas realidades. Por mais expansionista e estratégico que o povo estadunidense seja, é concreto o fato de que ele vive sob a crença de uma verdade absoluta. Característica essa que vem impregnando diferentes países e, terrivelmente, se enraizando em suas culturas – o Brasil é o maior exemplo disso. Seja buscando o que as grandes corporações escondem ‘atrás dos panos’ (The Big One, 1997), mexendo na delicada questão dos atentados de 11 de setembro com direito a uma relação da família Bush com a Bin Laden (Fahrenheit 9/11) ou questionando o sistema de saúde norteamericano, comparando-o até com Cuba (Sicko – SOS Saúde), Michael Moore dá a cara a tapa e irrita muita gente com as suas manifestações. O cinegrafista traz muito material para nos fazer pensar, mesmo que seja um produto lapidado com seu tom crítico e hipócrita.
O seu novo trabalho, Capitalismo – uma história de amor, será lançado diretamente em DVD pela Paramount no dia 22 de junho. O título um tanto quanto zombeteiro trará a teoria de golpe de Estado financeiro feito pelos bancos de Wall Street na véspera das últimas eleições presidenciais e pretende investigar transferências de capital dos contribuintes para empresas privadas. Você poderá conferir a trama nas telonas, pois essa semana será exibida em duas grandes cidades. E como afirmou o editor de Artes da Crase, Dans Souza, curiosamente o cinema brasileiro que funciona com patrocínio de um banco irá abrir sessões para a mostra do documentário em São Paulo, dias 10 e 11 de abril, e no Rio de Janeiro, no dia 13.
Não pretendemos exaltar os feitos do cineasta, não se trata de admirar o seu trabalho ou não. O que queremos lançar para você, nesse mero espaço de laboratório da nossa revista, é um questionamento: o que fica na sua cabeça ao assistir a esses tipos de documentários? E, principalmente, no quanto você acredita? Pois lembre-se: nem tudo o que se é mostrado é exposto da forma como é, sempre iremos ver pela visão de outro – seja essa pessoa consagrada ou não.
O ponto a ser citado agora é que Moore conseguiu atravessar a barreira que mantém os seus compatriotas alienados a pouquíssimas realidades. Por mais expansionista e estratégico que o povo estadunidense seja, é concreto o fato de que ele vive sob a crença de uma verdade absoluta. Característica essa que vem impregnando diferentes países e, terrivelmente, se enraizando em suas culturas – o Brasil é o maior exemplo disso. Seja buscando o que as grandes corporações escondem ‘atrás dos panos’ (The Big One, 1997), mexendo na delicada questão dos atentados de 11 de setembro com direito a uma relação da família Bush com a Bin Laden (Fahrenheit 9/11) ou questionando o sistema de saúde norteamericano, comparando-o até com Cuba (Sicko – SOS Saúde), Michael Moore dá a cara a tapa e irrita muita gente com as suas manifestações. O cinegrafista traz muito material para nos fazer pensar, mesmo que seja um produto lapidado com seu tom crítico e hipócrita.
O seu novo trabalho, Capitalismo – uma história de amor, será lançado diretamente em DVD pela Paramount no dia 22 de junho. O título um tanto quanto zombeteiro trará a teoria de golpe de Estado financeiro feito pelos bancos de Wall Street na véspera das últimas eleições presidenciais e pretende investigar transferências de capital dos contribuintes para empresas privadas. Você poderá conferir a trama nas telonas, pois essa semana será exibida em duas grandes cidades. E como afirmou o editor de Artes da Crase, Dans Souza, curiosamente o cinema brasileiro que funciona com patrocínio de um banco irá abrir sessões para a mostra do documentário em São Paulo, dias 10 e 11 de abril, e no Rio de Janeiro, no dia 13.
Não pretendemos exaltar os feitos do cineasta, não se trata de admirar o seu trabalho ou não. O que queremos lançar para você, nesse mero espaço de laboratório da nossa revista, é um questionamento: o que fica na sua cabeça ao assistir a esses tipos de documentários? E, principalmente, no quanto você acredita? Pois lembre-se: nem tudo o que se é mostrado é exposto da forma como é, sempre iremos ver pela visão de outro – seja essa pessoa consagrada ou não.
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